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risco de condenação judicial pela prática de ambiente de trabalho adoecedor,

reforçando o que Oliveira (2011, p. 153) denomina de

monetização do risco

. O autor

defende brilhantemente como a cultura de transformar em pecúnia o dano causado

à saúde do trabalhador reforça a manutenção da ofensa, por simples cálculo

matemático: o empregador contabiliza os riscos e o custo para melhoria do ambiente

do trabalhado e, ao concluir que é menos custoso manter o

status quo

, opta por

remunerar o empregado pelos danos causados. Cabe ressaltar a importância de,

paralelamente à monetização do risco, as empresas adotarem cultura de redução de

danos de forma a evitar tais condenações.

Assim, o que se percebe é o ingresso do trabalhador no mundo do trabalho

com suas expectativas e sonhos e, em nome de maior lucro e melhores resultados,

sua segurança, confiança e autoestima são cada vez mais desestabilizadas,

minadas ou mesmo usurpadas, muitas vezes sem perceber a sutileza da violência

contra si desferida, ou mesmo preferindo a indenização ao respeito de sua

integridade.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Conhecido na doutrina francesa como

harcèlement moral au travail

, no Japão

o

murahachibu

3

causado pelo

iijime

4

em suas fábricas, na doutrina anglo-saxônica é

reconhecido como

mobbing

,

bullying at work

ou

harassment

5

in the workplace

. Nos

países de língua espanhola é tratado por

acoso moral en el trabajo.

Na língua portuguesa, o vocábulo assédio designa “1. Cerco posto a um

reduto para tomá-lo; sitio. 2. Ato de assediar”, que por sua vez, significa: “Pôr

3

Termo japonês utilizado para designar “ostracismo social”.

4

Termo japonês para assédio moral, além de usado para descrever as humilhações e ofensas,

também serve para caracterizar as pressões de um grupo com o objetivo de formar os jovens recém-

contratados ou reprimir os perturbadores

”, cf. Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região. Processo

0072100-45.2006

.5.20.0006 (num. antigo

00721-2006-006

-20-00-2). Desembargador Relator:

ALEXANDRE MANUEL RODRIGUES PEREIRA. Aracaju, 13 de fevereiro de 2007. Publicado em

26/03/2007.

5

Na década de 90, pressupõe-se que

[Heinz]

Leymann

[psicólogo do trabalho sueco]

foi o primeiro a

usar o termo, ainda que o fenômeno já estivesse sendo estudado desde 1976 por Carroll Brodsky.

Este autor define o assédio como ataques repetidos e voluntários de uma pessoa a outra, dando

atenção aos efeitos nocivos à saúde

”, cf. Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região. Processo nº

0072100-45.2006

.5.20.0006 (num. antigo

00721-2006-006-

20-00-2). Desembargador Relator:

ALEXANDRE MANUEL RODRIGUES PEREIRA. Aracaju, 13 de fevereiro de 2007. Publicado em

26/03/2007.