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psíquico, por acreditar que houve um erro da natureza na hora da indicação precisa

do sexo físico. Esse conflito vai sedimentado a convicção de pertencer ao sexo

oposto e para que deixe de pertencer a este sexo, o caminho visualizado passa a

ser a realização de uma cirurgia de adequação sexual.

Historicamente, o primeiro relato de cirurgia de mudança de sexo foi de um

ex-soldado americano, George Jorgensen, transexual homem para mulher, que se

submeteu a uma Cirurgia de Redesignação Sexual. O procedimento é popularmente

conhecido como ‘mudança de sexo, e foi realizado em Copenhague, em 1952, pelo

cirurgião-plástico Paul Fogh-Andersen. Já no Brasil, a primeira cirurgia de

adequação de sexo, ocorreu em 1971, no caso de Valdir Nogueira, realizada pelo

cirurgião Roberto Farina, ambos os casos estão descritos na Revista dos Tribunais

(1998, p. 38) Na época o médico acabou sofrendo processo tanto criminal, como no

Conselho Federal de Medicina, por se entender na época que a extirpação de um

órgão saudável caracterizava lesão corporal grave, crime previsto no ordenamento

jurídico brasileiro. Porém, posteriormente foi absolvido pelo Conselho Federal de

Medicina.

É importante ressaltar que esta cirurgia não é modificadora do sexo, mas de

adequação do sexo biológico a psique, não sendo possível aceitar sua classificação

como cirurgia mutiladora, tendo em vista seu nítido caráter reparador.

A cirurgia de mudança de sexo, também conhecida pelo nome de

transgenitalizacão, é altamente complexa, de recuperação dolorosa e requer um

acompanhamento multidisciplinar não apenas no período que antecede a cirurgia,

mas também na fase pós- operatória. O paciente que a ela é remetido necessita de

revisões médicas constantes e de acompanhamento de psicólogos e assistentes

sociais para encarar a sua nova situação, haja vista que, na maioria das vezes,

passará a sofrer inúmeros preconceitos pelas diversas camadas da população.

O Conselho Federal de Medicina, através da Resolucão n 1.482/1997, decidiu

autorizar, a título experimental, a realização de cirurgia de transgenitalização do tipo

neocolpovulvoplastia, neofaloplastia e ou procedimentos complementares sobre

gônadas e caracteres sexuais secundários, como tratamento dos casos de

transexualismo, liberando assim, eticamente os médicos para a realização da

cirurgia de transgenitalização.

A definição de transexualismo obedecerá, no mínimo, aos seguintes critérios:

desconforto com o sexo anatômico natural, desejo expresso de eliminar os genitais,