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Em muitas culturas, inclusive tribos indígenas da América do Norte, os

transexuais tiveram desde há muito tempo a eleição de se travestir e viver como

mulheres, e inclusive casar.

Alterar os genitais por meio de cirurgia também não é uma invenção do

século XXI. Em algumas culturas, inclusive em muitas da Antiguidade, muitos

transexuais se submeteram voluntariamente a uma cirurgia para modificar os corpos

de modo a mudar o sexo. Os métodos e os efeitos de castração se viam por toda a

parte nas culturas antigas, retirar os testículos de um homem em idade suficiente

nova impediria a masculinização também do corpo. Uma pessoa assim sempre seria

um menino ou uma moça.

Sobre as origens históricas do transexualismo, Roudinesco & Plon (1998, p.

23) nos conta a história do Abade Choisy (1644-1704), que usava roupas de mulher

e se fazia chamar de condessa de Barres, além de Charles de Beaumont, cavaleiro

d’Éon (1728-1810), que serviu à diplomacia secreta de Luis XV, vestindo-se de

homem ou de mulher conforme as circunstancias, reforçando a tese que o desejo de

mudar de sexo existia antes da criação do termo “transexualismo”.

Como podemos perceber não se trata de fato novo. Sua presença é bem

marcada ao longo da História, sendo, portanto, conhecido pelo meio acadêmico.

O que é ser Transexual? Diniz (2001, p. 223) nos esclarece que

transexualidade “é a condição sexual da pessoa que rejeita sua identidade genética

e a própria anatomia de seu gênero, identificando-se com o gênero oposto”. Há uma

crise na identidade de gênero, isto é, a consciência interna que o indivíduo tem de

pertencer ao gênero masculino ou feminino. O que ocorre entre os transexuais, é

que essa identidade sexual está em desalinho com o seu corpo biológico. Com isso

apresentam um enorme conflito, que os acompanha desde a infância, por terem a

sensação de ter nascido num corpo “trocado”, já que estão aprisionados num corpo

que não identificam como seu.

São indivíduos que não aceitam o sexo que lhe foi atribuído ao nascer. Apesar

de não serem portadores de qualquer anormalidade, tem uma contínua e forte

identificação com o sexo oposto ao seu, causando-lhe um grande desconforto e

levando a uma inadequação ao papel do sexo biológico, condições essas

irreversíveis.

Essa dicotomia entre o corpo e a mente, que o transexual sente, ao contrário

do que ocorre com os travestis e os homossexuais, leva-o a um padecimento