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deve ser colocado neste patamar discriminatório de mutantes, quando na

verdade, a procura dos transexuais nada mais é do que a simples adaptação

física, para exercer suas vidas emocionais, sociais, espirituais e sexuais, o

que infelizmente não são alcançadas pela maioria, e numa minoria são

conquistadas aos poucos e as duras penas (IRIGUTI, 2013).

h) Transexualismo: é definido como patologia (OMS – CID 10) pela Organização

Mundial de Saúde na classificação de Transtornos Mentais e de

Comportamento que reconhece o transexualismo como um transtorno de

identidade sexual desde 1993. É considerado uma anomalia de identidade

sexual, na qual o indivíduo se identifica psíquica e socialmente com o sexo

oposto ao que lhe fora determinado pelo registro civil de nascimento.

i) Transgenitalização: cirurgia de mudança de sexo de alta complexidade e

recuperação dolorosa que requer acompanhamento multidisciplinar não

apenas no período que antecede a cirurgia, mas também na fase pós-

operatória. O paciente que a este tipo de cirurgia é submetido necessita de

revisões médicas constantes e de acompanhamento psicológico e social para

encarar sua nova situação, haja vista que, na maioria das vezes, passará a

sofrer inúmeros preconceitos pelas diversas camadas da população.

Ultrapassados os conceitos introdutórios essenciais ao deslinde do presente

trabalho, que visa tratar sobre o transexualismo, a cirurgia de transgenitlização e os

efeitos jurídicos que se esperam após o transexual submeter-se a este procedimento

cirúrgico, observa-ser que na sociedade contemporânea o respeito pelas minorias é

uma premissa básica. Tal preceito está referendado em tratados e leis que possuem

como arcabouço primeiro o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

Na questão dos transexuais, faz-se necessário que ampliemos nosso

entendimento a respeito. Por ser minoria, sofrem todos os tipos de preconceitos, já

que os chamados “desvios sexuais” são uma afronta a moral e aos bons costumes,

sendo, portanto, alvo de rejeição social.

Numa sociedade onde os papéis sexuais são estabelecidos como indivíduo

do sexo feminino ou do sexo masculino, é difícil assumir uma identidade sexual

complexa, como a de ser transexual, pois se trata de pessoa do sexo feminino com

psique masculina, ou do sexo masculino com psique feminina, situação que está

mais comum, hipótese da presente abordagem.