Table of Contents Table of Contents
Previous Page  92 / 101 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 92 / 101 Next Page
Page Background

92

racionalizado, o que explica um comportamento previsível do legislativo de um modo

geral no país (SANTOS, 2002).

A posição submissa dos legislativos municipais, assim como o caráter unitário

das decisões do executivo, típico em sistemas presidencialistas (RIBEIRO;

PEIXOTO; BURLAMAQUI, 2013), dificulta a atuação parlamentar quando se trata de

opinar e exercer sua autonomia nas discussões orçamentárias (KERBAUY, 2006).

Lembrando que os diversos procedimentos institucionais existentes garantem que o

executivo não corra riscos de ter sua proposta orçamentária inicial desfigurada pelo

legislativo. Os chefes do executivo podem não só vetar as mudanças indesejáveis,

como possuem ao seu dispor uma série de instrumentos institucionais e vantagens

informacionais que lhes autorizam conduzir com segurança a tramitação do

orçamento (PEREIRA; MUELLER, 2002), resultando no engessamento das câmaras

municipais.

Os estudos que analisam a prática das câmaras municipais no Norte

Fluminense, no âmbito de sua produção legislativa, servem de base inicial para a

medida da atuação dos vereadores. Há a constatação de que a maior parcela de leis

aprovadas pelos legislativos da região referem-se a assuntos de reduzida

importância, como a nomeação de logradouros públicos, e de que a busca por

benefícios localizados em detrimento de políticas públicas para todo o município é

uma constante (BORSANI; CAMPOS, 2011). A prática clientelista passa então a

ganhar destaque nos municípios petro-rentistas, pois a lógica legislativa

fundamentada na possibilidade de sucessivas reeleições persegue a manutenção de

redutos eleitorais por meio do direcionamento localizado dos recursos dos

royalties

.

O mandato é visto como um patrimônio pessoal do parlamentar a serviço das

demandas individuais de seus “clientes”, os eleitores (SOUZA, 2004).

O Poder Executivo também se beneficia deste sistema, pois utiliza o troca-

troca de emendas como moeda de barganha para a obtenção do necessário apoio

legislativo à sua agenda ordinária (LIMONGI; FIGUEIREDO, 2005). A votação das

leis orçamentárias é conduzida da maneira mais conveniente e permissiva possível

em favor do Poder Executivo, e os parlamentares, com isso, obtém sucesso em suas

estratégias clientelistas. Oportunismo eleitoral e miopia política (BORSANI, 2003).